5 de fevereiro de 2005

O desaparecimento da carreira 50

Leio no site da Carris que a empresa vai proceder a uma alteração estrutural de fundo nas suas carreiras. Lê-se no comunicado «...A Carris considera que a rede actual já não corresponde às necessidades de uma cidade que registou uma diminuição acentuada da população na última década... A rede proposta para a Carris assenta basicamente na existência de 3 segmentos de rede:

 Rede estruturante de autocarro e metro ligeiro, composta por 18 carreiras - virá complementar a rede pesada de metro e comboio, estando acessível (a menos de 6 minutos a pé de uma paragem) a 321.000 habitantes de Lisboa (57% da população da cidade)

 Rede intermédia, composta por 20 carreiras - que suprirá a menor oferta dos níveis superiores em algumas zonas da cidade e que está acessível (a menos de 6 minutos a pé) a 354.500 habitantes de Lisboa 63% da população da cidade)

 Rede de serviço local (Bairros), composta por 20 carreiras – com percurso curto, que assegurará aos Bairros a ligação, num ou mais pontos, à rede de metro e comboio, no máximo em 10 minutos...»


Por um lado compreendo a tomada de posição da administração da Carris, no sentido de diminuir os elevados custos de operação da transportadora e aumentar a produtividade.
Mas algo de mais grave se esconde...

ENTÃO E A TRADIÇÃO??? O QUE SERÁ FEITO DOS VALORES QUE SEMPRE ACOMPANHARAM A CARRIS AO LONGO DOS ANOS?? AS MEMÓRIAS PERPETUADAS PARA TODO O SEMPRE?

Uma rede eficiente e curta? Isso ditará o desaparecimento da super-famosa carreira 50. E de todo o seu folclore característico.

Esta bela e ditosa carreira existe há pelo menos 40 anos. Começou por ligar Algés ao Poço do Bispo, mas desde 1998 que o terminal se mudou para a Estação do Oriente. Passa por pontos tão pitorescos e belos da nossa cidade como o Bairro da Boavista, a Buraca, a Estação de Benfica, o Colombo, e aquela zona intermédia que divide as melhores zonas dos Olivais e Chelas.

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