Now you don't see the skies that I do...
27 de fevereiro de 2013
19 de fevereiro de 2013
Broken hearts make it real
And I see you messing me around
I don't want to know...
I don't want to know...
I don't want...
(Grande música... mais uma.)
31 de janeiro de 2013
Is it madness being mad ?
ma-ma-ma-ma-ma-ma-ma-ma mad mad mad ...
ma-ma-ma-ma-ma-ma-ma-ma mad mad mad ...
31 de dezembro de 2012
Obigada!
Cometi uma loucura e fui ao Pingo Doce a meio da tarde da véspera de fim de ano. E vi lá algumas das colisões mais brutas entre pessoas e carrinhos e cestos de compras, que só se perdoam nestes dias de confusão. É interessante ver que quanto menos espaço há disponível, menos inteligentes as pessoas ficam a gerir os seus movimentos, e mais stressadas ficam.
Fui lá comprar passas e algo para brindar. Nem um espumante daqueles polivalentes que dá para limpar azulejo, nem um champagne a sério. E as passas, bom... as passas podem ser sultanas, e não aquelas pretas do tamanho de ameixas. Que os meus desejos não são assim tão megalómanos. Nos tempos que correm, já vejo com alguma satisfação não ficar com algum impactamento esofágico - real ou metafórico. Adiante...
Ia na fila para pagar, e há uma senhora com um bebé atrás de mim, e um cesto de compras cheio no chão. O bebé devia ter pouco mais que dois anos, e não parava de chorar. Na verdade, no meio de tanta confusão e de tanto tempo de espera, aquele espaço comercial parecia saído do Apocalypse Now Redux, pelo que não podia deixar de sentir para com ele uma certa empatia.
Antes que pudesse dizer-lhe para passar à minha frente, na fila ao lado abriram caminho para a senhora passar à frente, e foi o que ela fez, enquanto o bebé berrava lágrimas e ela empurrava com o pé o cesto no chão, dizendo obrigada! obrigada! a cada pessoa que passava. Quando lá chegou à frente, o bebé calou-se e disse bem alto: obigada!
Há esperança.
20 de dezembro de 2012
Default
I laugh now
But later's not so easy
I've gotta stop
The will is strong
But the flesh is weak
Guess that's it
I've made my bed
And I'm lying in it
But it's eating me up
But it's eating me up
It's eating me up (If I could feel all the snakes on my heads).
But later's not so easy
I've gotta stop
The will is strong
But the flesh is weak
Guess that's it
I've made my bed
And I'm lying in it
But it's eating me up
But it's eating me up
It's eating me up (If I could feel all the snakes on my heads).
7 de dezembro de 2012
Não é preciso ...
And we breathe it in
There is no need to forgive
Breathe it in
There is no need to forgive...
6 de dezembro de 2012
Uma explicação da chuva
Chove.
Chove para que as estradas fiquem limpas para poderem encher-se depois novamente de todas as porcarias gordurosas imagináveis.
Chove para que os vidros dos carros fiquem embaciados e para que nos possamos insultar uns aos outros no trânsito de forma especialmente inconsequente.
Chove para que possamos conduzir mais depressa.
Chove para que possamos ter tema de conversa às portas dos cafés dos locais de trabalho, mostrando-nos admirados por cair água do céu em Dezembro.
Chove para que possamos andar cabisbaixos no nosso caminho, sem serem precisas explicações para a falta de um olá-tudo-bem quando nos cruzamos.
Chove para que possamos ficar em casa a ouvir a saraivada a bater lá fora.
Chove para que haja chapéus de chuva, seguros contra terceiros, gabardines impermeáveis, arcas-de-noé.
Chove para que se possa dizer que "faz muita falta a chuvinha".
Chove para que o boletim meteorológico possa acertar às vezes.
Quando andava na quarta-classe andava na fase dos "como" e fiz um trabalho para a aula de Meio Físico sobre o ciclo da água, numa cartolina com colagens. Aí se aprendia que só chovia em cima das montanhas, depois os rios formavam-se e passavam pelas hortas e iam dar ao mar, e só no mar é que a água voltava a evaporar.
Bastante mais tarde, na fase dos porquês, aprendi sobre condensação, ligações por pontes de hidrogénio, electrões... gelo I, gelo II, gelo III... até ao gelo XV ou XVI. E porque é que podia cair granizo, água, neve, formar-se geada...
*
Pensei nestas coisas todas enquanto via chover de uma janela, ainda molhado de ter vindo lá de fora. Nunca usei chapéu de chuva. O menos mau que ela me faz é ensopar-me.
Porque é que a chuva me bate assim ?
*
Chove porque faz muita falta ter tema de conversa.
Chove para podermos insultar inconsequentemente o boletim meteorológico.
Chove para que possamos ficar em casa a enchermo-nos de todas as porcarias gordurosas imagináveis.
Chove para que os vidros dos carros possam ficar embaciados sem serem necessárias explicações.
Chove para dizermos olá-tudo-bem mais depressa.
Chove para acertarmos às vezes no caminho apesar de cabisbaixos.
Chove para ficarmos limpos.
27 de dezembro de 2011
Números de circo
Sei que se ligar o rádio do carro a horas certas, alguém de lá irá dizer-me percentagens entre três e meio e dez, por isso não vale a pena fazê-lo. Também sei que, se ligar a televisão na sic notícias, alguém estará a referir quarenta e duas horas e meia em vez das quarenta, portanto não o tenho feito. Também já não pego num jornal (digno desse nome) há meses, com medo que a capa me grite em letras garrafais outros números como cinquenta por cento do subsídio de natal, ou desaparecimento de décimo terceiro e décimo quarto mês para o ano.
E já vou a poucos fóruns de discussão, porque senão arrisco ler coisas como cinquenta por cento ou menos do valor da hora extraordinária obrigatória.
Estou farto de números.
Não pensem que não sei. Não se precipitem a dizer que tanto me faz. E acima de tudo, não me chamem já de resignado.
É que já não consigo sequer falar sobre isso. Quero jantar sossegado, ir para o trabalho a ouvir música, beber café a folhear um jornal, quanto mais não seja a ver os classificados do correio da manhã. Não quero viver permanentemente na angústia de quem se sente injustiçado. Não me apetece participar no desfiar desses rosários. E acima de tudo, já percebi que, seja qual a posição que tome - contra, a favor, céptico, fervoroso apoiante, neutro - alguém se vai virar contra ela e dizer que sou um privilegiado, ou que falo de barriga cheia, ou que não tenho sentido cívico. Esta é daquelas ocasiões que talvez não deva perder para estar caladinho.
Fui então beber o café e ler os classificados do correio-da-manhã. Detive-me sobre um deles que anunciava a cedência de quotas num dos colégios mais conhecidos da linha de cascais, mas na altura nem pensei muito sobre o que aquilo poderia significar. E depois fui pedir outro café, que por enquanto mas não por muito mais tempo, custa sessenta cêntimos, e reparei que estavam a tirar cariocas com "terceiras-águas".
Depois lembrei-me que também aqui haverá números a mudar de treze para vinte e três.
Fui pagar, mas à minha frente na fila para a caixa estavam duas senhoras de meia idade, de casaco à laia de vison mas sem o ser.
O senhor foi buscar o pão e o bolo pedidos pela primeira, e quando virou as costas, ela esticou a mãozita e enfiou meia dúzia de pacotes de açúcar no grande bolso.
Fiquei de boca aberta sem querer, mas é claro que não disse nada, e nem tive muito tempo para reacções, pois em seguida a segunda senhora também pediu pão ao empregado, e desta feita foram dois os bolsos cheios de pacotes de açúcar.
Podia falar também das pessoas, com bom aspecto e vestidas sem ser à mendigo ou à toxicodependente, a remexer no lixo deixado ao lado dos contentores, à noite, quando vou passear a cadela à rua.
Podia falar de como o nosso circo está a pegar fogo com os números perigosos que se estão a praticar, com promessas de acrobacias ainda mais arriscadas e impressionantes no futuro.
Mas não me apetece, nem é útil. Vocês já sabem isto tudo.
E por muito que não queira olhar para as cartinhas dos vencimentos ao fim do mês, ou para os jornais, sites, canais de televisão, boletins noticiosos na rádio... quando as coisas sucedem à minha frente, não dá para fugir. E, pelo menos para já, tem sido "só" com os outros.
Não tenho vontade de falar mais sobre o assunto, nem tenho grandes ideias. Mas uma coisa que aprendi é que quando se corta o aporte, provoca-se necrose. Hoje dá a notícia de que cem mil pessoas já emigraram este ano, e as que cá ficam não ficam melhor por isso, antes pelo contrário.
Tal como não consigo apontar soluções, também não posso terminar este texto de forma bonita. Apenas posso dizer uma coisa: não estou convencido de que o único caminho seja este, tampouco que seja este o melhor. Mas que nos estejamos a rir disto tudo daqui a uns anos.
16 de novembro de 2011
O melhor céu
O melhor céu já foi em junho e era laranja.
Podia vê-lo filtrado pelos ramos de uma enorme figueira que espalhava por toda a parte aquele cheiro leitoso e doce de Junho. Os pardais faziam um chinfrim de fim de tarde na sua copa, e, embora fossem certamente muitos, só conseguiamos observar uma ou outra silhueta fugaz de vez em quando. Nessa altura, o meu pai aproveitava para apontar a pressão-de-ar. Xu-xu-xu quieto!, soprava ele, de mão muito aberta, palma virada para o chão.
Depois produzia-se um som seco que calava o chilrear caótico e provocava logo um alvoroço que fazia crescer momentaneamente a copa contra o laranja desse céu. E depois eu corria à procura do resultado do tiro, vestido com uns calçonitos curtos, fintando com as pernas arranhadas a vegetação rasteira que atingia metade da minha altura.
Tenho na memória uma cena, era eu ainda mais pequeno, passada em casa da minha tia-avó. Estavam várias pessoas sentadas à mesa numa sala mal iluminada de amarelo deslavado, por uma lâmpada incandescente de pouquíssimos watts; num dos cantos, por cima de uma bancada de cimento, havia um fogão de lenha improvisado entre dois tijolos, dispostos contra a parede enegrecida por incontáveis demãos de fumo.
Naquela casa sempre se comeram coisas muito boas, e dessa vez, estava eu ao colo de não-me-lembro-quem, tinha provado pardalinhos fritos em óleo e alhos. Aquele molho era, até a altura, uma das melhores coisas que eu provara.
Talvez fosse pela recordação desse sabor que nem me assomava à mente a vertente negativa de andar a chumbada aos pássaros.
Ou então era porque estava a caminhar com o meu pai por entre a vegetação rasteira que me arranhava as pernas, e se ele gostava de ir à caça, então eu também gostava.
Ou então porque era pequenino e não sabia o que era a morte, sabendo ao mesmo tempo que aqueles chumbinhos, que até eram moles porque os conseguia esmagar com os dentes, matavam pardais. É para mim fascinante a forma como as crianças conseguem viver bem com tais paradoxos.
Certa vez, um tempo mais tarde durante uma dessas caminhadas, acertámos de raspão num pardal, e demos com ele no chão, ainda vivo. Respirava muito depressa e mal se mexia. Quis pegar nele, mas o meu pai não permitiu.
Apontou-lhe a pressão-de-ar e desfez-lhe a cabeça com outro chumbinho; ele deixou de respirar.
Explicou-me a mim e à minha irmã, que estava connosco dessa vez, que era preciso acabar logo com o sofrimento do animal.
Nunca até então me tinha feito espécie ter as mãos sujas com o sangue dos pássaros que matávamos - a mim, que os carregava sempre enquanto caminhávamos. Por acaso, ou talvez não, essa foi a última vez que fomos aos pardais.
Passei há pouco tempo pelo mesmo sítio e reparei que construiram uma grande vivenda no lugar dessa árvore, que se calhar não era assim tão grande. Já não sei do paradeiro da pressão-de-ar, que, de resto, há muitos anos que não disparava. Chegou por telefone a notícia que a minha tia-avó tinha tido uma trombose e ficara menos bem.
E até estou aqui a pensar que talvez aquele molho dos pardalitos fritos em óleo e alhos não fosse assim tão bom.
Mas do céu laranja, filtrado pelos ramos da figueira, ainda me lembro bem.
E até estou aqui a pensar que talvez aquele molho dos pardalitos fritos em óleo e alhos não fosse assim tão bom.
Mas do céu laranja, filtrado pelos ramos da figueira, ainda me lembro bem.
Recordo-o certamente muito melhor do que recordaria se o tivesse contemplado ontem.
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